PURGATÓRIO E INDULGÊNCIAS
“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito melhor Filipenses” 1:23.
A Igreja católica Romana concorda com o ensino Bíblico quando ensina a existência do céu e do inferno, mas discorda totalmente das escrituras Sagradas quando admite o purgatório , um lugar intermediário de tormentos e purificações onde são detidas as almas daquele que morrem em graça em amizade com Deus , mas com a mancha do pecado venial ou com alguma dívida resultante de pecado não resgatado.
Como produto típico de teologia especulativa do catolicismo romano, a doutrina do purgatório tem suas origens no concílio, de 1439, no qual os teólogos ,mediante um raciocínio puramente teórico, estabeleceram uma distinção entre a falta cometida pelo fiel e a tendência inata no mesmo fiel de cometer à mesma falta . Segundo concluíram os teólogos em Florença o perdão suprime a falta , mas não elimina a má tendência , que ainda necessita de ser extirpar mediante uma penitência rigorosa. No caso de cura dessa tendência negativa não ocorre antes da morte , a alma não estará em condições adequada para desfrutar a felicidade do céu, e por isso terá de passar por sofrimento especiais , purificadores que finalmente a libertarão de todas as suas impurezas .
O concílio de Trento(1545 - 1563,onde foi decidida a reforma geral da igreja católica em face da reforma protestante ), no século XVI, formulou o dogma do purgatório nos seguintes termos : Existe um estado de purificação e a alma que lá são mantidas encontram alívio nas orações dos fiéis e sobretudo, no sacrifício da missa .
Oficialmente ,o catolicismo ensina que é no fogo desse purgatório que a alma dos justos se purificam por meio de horrível sofrimento durante um tempo determinado, a fim de poder ser admitida no céu , onde não entrar coisa alguma que contamine . Mesmo aqueles que viveram de acordo com os preceitos religiosos e receberam os sacramentos ( um ato religioso cuja a finalidade é a santificação daquele , que é seu objeto que são : batismo,confirmação ,eucaristia é a substanciação do corpo e do sangue de Cristo a alma e a divindade de Jesus Cristo as espécies do pão e do vinho ,penitência: jejum macerações humilhação,extrema-unção, ), necessitam da purgação de seus pecados como preparo para poder contemplar a face de Deus.
O suplício inventado pelo romanismo corresponde perfeitamente ao tártaro da mitologia greco-romana . Era costume pagão colocar na boca dos mortos , antes do sepultamento , uma moeda , para o pagamento do Charonte ( barqueiro que conduzia os mortos ) , e atravessar na barca deste o Styx e o Acharonte ( rios do inferno) para os campos Elíseos . O tártaro, na mitologia grega , era morada subterrânea situada no fundo dos infernos , onde Zeus precipitava aqueles que o havia ofendido . Os gregos fizeram dele um lugar onde os homens pagavam seus crimes depois da morte mediante duros castigos .
A conexão entre o purgatório romano e as crenças pagãs pode ser demonstrada através das várias estórias , sendo esta uma delas: depois da morte do papa Bento VIII ( 1012-1024), certo cavalheiro francês , de volta de uma peregrinação a Jerusalém, ao deter-se na Sicília, num lugar próximo ao Etna , ouviu de um eremita o seguinte : este , tendo um dia se aproximado da cratera do vulcão, ouviu o grito das almas que ali estavam sendo atormentadas pelo fogo, bem como a conversação dos demônios que lastimavam o fato de Santo Odilon, com suas rezas pelos mortos , lhes arrancarem tantas almas .
Estas e muitas outras piedosas fábulas durante séculos , acabaram por dar origem ao dogma do purgatório no concílio de Florença, em 1439.
Como vimos , o concílio tridentino definiu o purgatório como um estado de expiação, e não de arrependimento . A única base plausível para tal doutrina é a passagem apócrifa de 2 Macabeus 12:42-45, e por esta razão, rejeitada pelos evangélicos de cuja Bíblia tal livro está excluído juntamente com os outros seis ( Eclesiástico , Tobias Judith , Sabedoria , Baruc e 1 Macabeus), aceitos pela igreja romana no mesmo concílio. O ex-padre Hipólito de Oliveira afirma em seu livro Roma sempre a mesma, que referida passagem foi adulterada a fim de justificar a doutrina da oração pelos mortos , base do purgatório. Se assim é , temos um caso típico de falsificação de um livro espúrio para justificar uma doutrina espúria.
Nenhuma passagem , no Novo Testamento , vem em socorro dos católicos romanos, embora eles se apeguem , principalmente , a Mateus 5:26; 12:32; 1 Coríntios 3:15. . Mateus 12:32 trata do pecado imperdoável. Este, segundo os romanistas, terá de ser purgado depois da morte, em algum lugar , desde que não seja o inferno. Acontece que a passagem paralela de Marcos 3:29, esclarecendo a de Mateus, afirma: “Mas qualquer que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca obterá perdão , mas é réu de eterno pecado.” Desnecessária se torna, portanto, a purgação daquilo que “nunca mais” será perdoado.
A passagem de ‘ Coríntios 3:15 nada tem a ver com a salvação, pois trata especificamente dos galardões. As obras que os salvos fazem provados. Mesmo que todas elas sejam consumidas pelas chamas, o tal será salvo “como pelo fogo”. É como uma casa incendiada em que seu ocupante sai pela janela, salvo, embora tudo o que tenha construído se transforme em cinzas. Daí a recomendação apostólica para se construir com ouro, prata e pedras preciosas, por resistirem ao fogo, e não com feno , palha e madeira , matérias facilmente inflamáveis (1 Coríntios 3:12-15).
O texto de Mateus 5:26 : “Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo” faz referência á prisão a que magistrado civil entrega os réus civis. Não apóia , portanto, a doutrina do purgatório.
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